Em greve, estivadores de Lisboa lutam contra demissões e precarização

Contra a demissão em massa de 50 estivadores e a precarização do trabalho, a categoria do setor portuário de Lisboa, Portugal, segue em greve desde o dia 20 de Abril. A cada dia a paralisação custa, em média, cerca de 300 mil euros aos operadores deste porto.
A mobilização, que já dura 20 dias, se dá em protesto aos ataques do governo, que mantém a lei portuária aprovada em fins de 2012, e contra os operadores portuários que buscam, por meio da demissão em massa, contratar profissionais de maneira precária tendo em vista o lucro que este planejamento pode garantir.

Esses trabalhadores não qualificados poderão ocupar cargos que, pela nova legislação, não caberiam somente aos estivadores, como, por exemplo, os motoristas que circulam pelo porto com os caminhões de carga.

É alarmante a situação dos portuários, que recebem salários muito baixos, na faixa de 600 euros, que tentam desde novembro passado firmar novo acordo coletivo, e que trabalham 80 horas semanais expostos a diversos riscos.

O cenário deve piorar se os operadores conseguirem avançar e aplicar vínculos laborais precários e enfraquecer a categoria. Segundo a historiadora Raquel Varela, “a lei dos portos fixou a legalidade de empresas de trabalho semiescravo e de sindicatos paralelos amarelos (pelegos, conciliadores de classe)” e que se hoje são os estivadores, “amanhã temos uma empresa de médicos baratos, de professores baratos, de enfermeiros baratos, de eletricistas baratos ao lado, exatamente ao lado, dos trabalhadores com direitos”.

Para a historiadora, é urgente travar uma luta pela nacionalização dos portos, e exigir “a gestão aberta aos trabalhadores com os livros de contas a ser democraticamente controlados”, e ressalta a importância de se apoiar a luta dos estivadores. “(…) mais do que tudo trata-se de derrotar os estivadores para dar o exemplo, quem ‘levantar a cabeça, será decapitado’, da mesma forma que encarceram as sufragistas, expulsaram-nas de casa, tiraram-lhes os filhos, tratava-se de desmoralizá-las para que elas aparecessem como derrotadas. Apoiá-los não é só um ato altruísta, é proteger todo um país do canibalismo social que está a degradar as relações humanas a uma velocidade impensável”.

Os trabalhadores não aceitam mais que “patrões que ganham milhões paguem tostões”! Todo apoio da CSP-Conlutas aos trabalhadores do Porto de Lisboa!

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